Ricardo Cruz, o Tato do Falamansa conversou com a gente por telefone, no final do ano passado, uma semana antes do grupo receber o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Regional de 2014, com o CD Amigo Velho. Tato, um dos responsáveis pela disseminação do forró nas noites paulistanas no final dos anos 90, em nossa entrevista, apresentou seu lado rock’n'roll. Confira!. 

fonte: http://motif.mu/tato-falamansa/

 

Tato, o que tem tocado na sua playlist?
Eu sou muito eclético. Apesar de trabalhar em um seguimento, que é o forró, ouço de tudo um pouco. Ultimamente tenho ouvido, por exemplo, o novo disco do Criolo [Convoque Seu Buda], que é muito bom. Ouço muitas coisas que ouvia quando era moleque, como Pixies. Estou ouvindo muito o disco do Mestrinho, um sanfoneiro que lançou um disco recente chamado Opinião, que é bem bacana; ele é sanfoneiro do Gilberto Gil. Basicamente, é isso que tenho ouvido ultimamente.


Que disco nunca sai das suas audições, que você sempre escuta?

Um dos discos do Pixies, que chama Come on Pilgrim. É o disco que faz parte da minha adolescência. É um disco que sempre quando quero relembrar dessa época, eu escuto.


E você tem recordação de qual foi seu primeiro vinil ou CD na adolescência?

Meu primeiro vinil foi do AC/DC, Who Made Who, e meu primeiro CD, provavelmente, tenha sido Legião Urbana.


Você guarda os seus vinis?
Na verdade, adquiri muito mais vinis despois que acabou a coisa dos vinis. Então, além dos que eu tinha naquela época, adquiri muitos, porque ouço muito vinil ainda hoje. Principalmente os forrós, os discos do Dominguinhos, do Luiz Gonzaga, gosto muito de ouvir em vinil.


Qual foi o seu primeiro show como público?

Foi o show do A-Ha, em São Paulo, no Morumbi.


E qual te marcou bastante?

Ah, Rage Against the Machine que rolou no SWU. Foi um dos mais marcantes da minha vida.


Como público ainda, qual foi o último show que você pode conferir?

Foi do Alabama Shakes, no Cine Joia, aqui em São Paulo.


Que show você lamenta ter perdido?

Ah, Foo Fighters. E também perdi dois shows que queria muito ter visto: Kings Of Leon e Arctic Monkey.


Se você fosse produzir um festival de música, quem estaria no line-up?

Acho que colocaria Criolo, Los Hermanos e o Rappa, três atrações nacionais; e aí colocaria Black Keys, Arctic Monkeys, Foo Fighters e Kings Of Leon, fecharia nesses internacionais, que são os que tenho ouvido bastante.

E quem seria o headliner?
Ah, putz, que difícil. Black Keys, Arctic Monkeys, Foo figthters. Acho que Foo Fighters, por causa da história e tal.


De quais músicas ou artistas você gosta por influência da família?

Nelson Gonçalves, com certeza. Por mais diferente que pareça, é uma coisa que ouvi a minha infância inteira por causa do meu pai, e aprendi a gostar.


Quem você elegeria como o seu grande ídolo musical?

Para mim é o Luiz Gonzaga, cara. Diria Luiz Gonzaga e Bob Marley. São dois caras que fizeram o que acho que é mais bravo na música, usar a música para mudar a vidas das pessoas, a música como fator histórico até. Luiz Gonzaga e Bob Marley, cada um na sua essência, têm isso muito forte, têm a música como instrumento de união, de relato social. São duas pessoas que fizeram a música transcender a coisa da diversão. Acho isso incrível


Qual foi o momento mais marcante de compartilhamento com algum ídolo da música durante sua carreira?

Acho que o Dominguinhos. Acho não, tenho certeza. Poder ter cantado junto com ele, poder ter escrito uma música para ele gravar. Dominguinhos foi uma lenda viva presente na minha vida, que foi sem dúvida alguma o maior ser iluminado que eu tive oportunidade, a possibilidade de conhecer.


Com quem você gostaria de dividir o palco e ainda não conseguiu?

Ah, com o [Gilberto] Gil. Acho que o Gil tem tudo a ver com minha história musical, com a história do Falamansa. Espero que isso possa acontecer.


Falando em Falamansa, o que vocês escutavam quando o grupo foi criado?

Era uma época que a gente estava mergulhado no forró, então discos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino. Era uma época em que a gente ouvia muito isso.


Que música você gostaria de ter feito, que você acha muito bonita?

As músicas do Gonzaguinha, filho do Luiz Gonzaga. Tem muitas que acho fantásticas, a própria música “O que é, o que é?” é um hino de superação e de alegria diante das dificuldades, e tem a ver comigo.


Que música te emociona a ponto de chorar?

Eu já me emocionei escrevendo algumas das minhas músicas. Por incrível que pareça, foram emoções fortes durante a escrita. Lembro de “Xote dos Milagres”, me emocionei ao escrevê-la. Tem uma música chamada “O Sol de Hiroshima”, uma música nossa que escrevi em Hiroshima; escrevi ela aos prantos.


Que capa de disco você acha interessante?

A capa do London Calling, do The Clash, acho incrível. É uma cena bacana do cara atirando a guitarra no chão.


E videoclipe, qual te marcou?

Sem falsa modéstia, nosso novo clipe de “Amigo Velho”. É um clipe que a gente fez e não esperava que fosse dar tanta repercussão, a gente não esperava que fosse dar tão certo. Como é um clipe reality, com cenas que aconteceram, eu não imaginava que fosse ficar tão legal. Esse é um clipe que vai me marcar para a vida inteira, até porque eu dirigi também e dei muita sorte nesse dia.


Foi a primeira vez em que você dirigiu um videoclipe?

Do Falamansa foi a primeira vez, já tinha feito trabalho de produção de videoclipes de outros artistas, mas nosso foi o primeiro.


E para qual artista você gostaria de fazer direção?

Cara, para falar a verdade, tem um monte [risos]. Eu gosto muito de fazer produção, fazer direção, mas deixa-me pensar… No cenário de hoje, acho que gostaria de dirigir um clipe de rap, acho que ia ser legal para sair um pouco da mesmice e pode ser incisivo, pode ser marcante; por exemplo, um clipe dos Racionais. Nossa, seria muito louco.


Trilha sonora de filme, qual você gosta bastante?

Eu acho bonita a trilha do Forrest Gump, acho bem legal. Pulp Fiction, acho boa; as coisas do Tarantino sempre vem com trilhas sonoras muito bacanas. Ah! E Once, né? É a trilha mais sensacional que já ouvi, do filme Once [Apenas Uma Vez]. A trilha do filme é o filme, tanto é que ganhou o Oscar na época. Um filme de renda baixíssima. Pra mim, o reflexo de uma trilha bem feita é aquilo. Aquelas músicas, quase todas, me emocionam muito; tanto é que já assisti a esse filme umas sete vezes. Na verdade, é uma trilha que tem um filme por trás, eles conseguiram isso e eu acho incrível.


Você canta no chuveiro?

Canto! Pô, com certeza.


E já veio inspiração para alguma música?

Para falar a verdade, quando eu canto no chuveiro, canto qualquer coisa. Você se pega cantando qualquer coisa e nunca é profissional. Uma cantoria no chuveiro nunca é profissional.


Em reuniões com amigos, em casa, o que é legal para ter de trilha de fundo?

Como sou eclético, gosto de deixar uma playlist que não fique no mesmo segmento. Tem hora que gosto de escutar salsa cubana, toda a linha do Buena Vista [Social Club] é legal, aí quando está mais tranquilo, um Jack Johnson. Para um churrasquinho, acho legal e no carro, rock’n’roll. Em casa, como a gente escuta muito vinil, aí é forró. Gosto de escutar um forrózinho mesmo.


Na hora do sexo, que música é legal?

Ah, Sade! Sade é incrível! Todas as músicas da Sade são feitas para isso [risos].


Para finalizar o bate-papo, quem você sugere para uma entrevista por aqui?

Sugiro o Zeider, do Planta e Raiz, porque ele também, apesar de estar no segmento do reggae, é bem eclético e faz parte da nossa história. Eu produzi um disco do Planta e Raiz e gosto muito do som deles. Ele seria uma pessoa que teria várias coisas inusitadas para falar.


fonte: http://motif.mu/tato-falamansa/

Leave a comment

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.

 

contato-footer-amigo-velho 02novo

JoomlaMan